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quarta-feira, dezembro 12, 2007

Lee morgan, are you real?

Jorge Luiz Borges II

- El Aleph?
- Si, el lugar donde está, sin confundirse, todos los lugares del orbe, visto desde todos los ángulos.

Jorge Luiz Borges I

Por sus pasadas or futuras virtudes, todo hombre es acreedor a toda bondad, pero tambien a toda traición, por sus infâmias del pasado o del porvenir. Así como em los juegos de azar las cifras pares y las cifras impares tienden al equilíbrio, así tambien se anulan y se corrigen el ingenio y la estolidez, y acaso el rústico Poema del Cid es el contrapeso exigido por un solo epíteto de las Églogas o por una sentencia de Heráclito. El pensamiento más fugaz obedece a un dibujo invisibile y puede coronar; o inaugurar, una forma secreta. Sé de quienes obraran el mal para que en siglos futuros resultara el bien, o hubiera resultado en los ya pretéritos... Encarados así, todos nuestros actos son justos, pero también son indiferentes. No hay meritos morales o intelectuales.

Dostoievski

“Pensam que os ataco por falarem tolices? Nem um pouco! Gosto de ouvi-los dizer tolices! Esse é um privilégio da criação. Pelo erro se chega à verdade. Sou um homem porque erro. Nunca uma simples verdade será alcançada sem serem cometidos catorze enganos e muito provavelmente cento e catorze. E o erro nos conduz a muitas coisas boas, mas devemos errar sob nossa própria responsabilidade. Digam tolices, mas digam-nas as suas próprias, e eu os beijarei por isso! Errar em nosso caminho é melhor que acertar em caminho alheio. No primeiro caso, é um homem; no segundo, não é melhor que um pássaro.”

terça-feira, outubro 23, 2007

Adendo a Thiago de Mello

Fica decretado que nada: nem o excesso nem a falta de amor, saúde ou dinheiro - e principalmente o medo - deve impedir qualquer pessoa de construir uma história interessante.

Associações inúteis

Casper the Ghost x Kasper Hauser



Poindexter x Dexter

Vandermark 5

quinta-feira, outubro 18, 2007

quinta-feira, outubro 11, 2007

Anchieta

"Mesmo assim, obrigado Senhor"
Km22

Musil 5

Entre cavalos, se chama de cavalo de má comida

Chameleon

domingo, outubro 07, 2007

Haitian Fight Song

Haden

Palahniuk


Here's Francisco Goya, poisoned by the lead of his bright paints. Colors he applied with his fingers and thumbs, scooping them out of tubs until he suffered from encephalopathy, leading to deafness, depression, and insanity. Here on the page is a painting of the god Saturn eating his children - a murky mix of black around a big-eyed giant biting the arms off a headless body. In the white marging of the page someones written: "If you found this, you can still save yourself".

Musil 4

Por infelicidade, nada mais difícil de reproduzir na literatura do que um homem que pensa. Um grande descobridor, quando certa vez lhe perguntaram como conseguia ter tantas idéias novas, ele respondeu: “pensando nisso o tempo todo”. E com efeito, pode-se dizer que as idéias inesperadas só aparecem porque esperamos por elas. Constituem em grande parte um resultado positivo de caráter, de inclinações constantes, de ambição persistente, de ocupação incansável. Como deve ser monótona essa persistência! Por outro prisma, a solução de uma tarefa intelectual não acontece de modo muito diferente do que quando um cão, levando um bastão na boca, quer passar por uma porta estreita; ele vira a cabeça para a esquerda e direita, até o bastão entrar, e nós agimos de um modo muito parecido, apenas com a diferença de que não tentamos fazer isso de modo inconsciente, mas, pela experiência, já sabemos mais ou menos como proceder. E embora uma cabeça inteligente tenha muito mais habilidade e experiência nos movimentos do que uma cabeça tola, a solução também para ela chega de forma inesperada, acontece de repente e sentimos com um vago espanto que os pensamentos se fizeram por si, em vez de esperarem pelo seu autor. Essa sensação de assombro é o que muita gente chama hoje em dia de intuição, depois de antigamente a chamarem inspiração, e acreditam dever enxergar nela algo de suprapessoal; mas é apenas algo impessoal, isto é, a afinidade e a solidariedade das próprias coisas que se encontram dentro de uma cabeça.

sexta-feira, setembro 07, 2007

Clarice, uma entre tantas

“Quero antes afiançar que essa moça não se conhece senão através de ir vivendo à toa. Se tivesse a tolice de se perguntarquem sou eu?” cairia estatelada e em cheio no chão. É quequem sou eu?” provoca necessidade. E como satisfazer a necessidade? Quem se indaga é incompleto.”

Quanto à mim, sou verdadeiro quando estou sozinho. Quando eu era pequeno pensava que de um momento para outro eu cairia para fora do mundo. E por que é que as nuvens não caem, que tudo cai? É que a gravidade é menor do que a força do ar que as levanta. Inteligente, não é? Sim, caem um dia em chuva. É a minha vingança

domingo, setembro 02, 2007

Mishima

"They don't even know the definition of danger. They think danger means something physical, getting scratched and a little blood running and the newspapers making a big fuss. Well, that hasn't got anything to do with it. Real danger is nothing more than just living. Of course, living is merely the chaos of existence, but more than that it's a crazy mixed up business of dismantling existence instant by instant to the point where the original chaos is restored, and taking strenght from the uncertainty and the fear that chaos brings to re-create existence instant by instant. You won't find another job as dangerous as that. There isn't any fear in existence itself, or any uncertainty,but living creates it. And society is basic meaningless, a Roman mixed bath."

sábado, junho 30, 2007

Queda (Camus)

Era preciso submeter-se e reconhecer a culpa. Era preciso viver no desconforto. É verdade, o senhor não conhece aquela cela de masmorra, a que na Idade Média chamavam de “desconforto”. Em geral, esqueciam-nos lá para o resto da vida. Esta cela distinguia-se das outras por suas engenhosas dimensões. Não era suficientemente alta para se poder ficar de pé, nem suficientemente larga para se poder deitar. Tinha-se de assumir uma posição encolhida, viver na diagonal; o sono era uma queda; a vigília, acocorada. Meu caro, era engenhoso, e eu peso as minhas palavras, neste achado tão simples. Todos os dias, através do imutável constrangimento que anquilosava o seu corpo, o condenado aprendia que era culpado e que a inocência consiste em poder esticar-se livremente. Pode-se imaginar nesta cela um freqüentador das alturas e das cobertas dos navios? O quê? Podia-se viver nesta cela e ser inocente? É impossível, altamente improvável! Ou então, a minha lógica cairia por terra. Que a inocência se veja restrita a viver corcunda, recuso-me a considerar um único segundo esta hipótese. Além disso, não podemos afirmar a inocência de ninguém, ao passo que podemos afirmar com segurança a culpabilidade de todos. Cada homem é testemunha do crime de todos os outros, eis minha fé e minha esperança.



(...)

Antigamente, só tinha liberdade na boca. No café da manhã, eu a passava nas minhas torradas, mastigava-a durante todo o dia, levava ao mundo um hálito deliciosamente refrescado pela liberdade.




(...)

Enfim, como se vê, o essencial não é mais ser livre e obedecer, no arrependimento, a quem for mais malandro do que nós. Quando formos todos culpados, será a democracia. Sem contar, caro amigo, que é preciso nos vingarmos de ter de morrer sozinhos. A morte é solitária, ao passo que a solidão é coletiva.

Náusea (Sartre)

Logo virá o estribilho: é dele que mais gosto, e da maneira abrupta pela qual se lança como um penhasco para o mar. No momento é o jazz que toca; não há melodia, apenas notas, uma miríade de curtas sacudidelas. Elas não param, uma ordem inflexível as origina e as destrói, sem nunca permitir que se recomponham, que existam por si. Elas correm, se apressam, de passagem me dão um golpe seco e se obliteram. Gostaria muito de retê-las, mas sei que, se conseguisse deter uma, só me ficaria entre os dedos um som apagado e vulgar. Tenho que aceitar sua morte; tenho até que desejar essa morte: conheço poucas impressões mais ásperas ou fortes. (...)

Quando se vive, nada acontece. Os cenários mudam, as pessoas entram e saem, eis tudo. Nunca há começos. Os dias se sucedem aos dias, sem rima nem razão: é uma soma monótona e interminável. De quando em quando se procede a um total parcial, dizendo: faz três anos que eu não viajo, três anos que estou em Bouville. Também não há fim: nunca deixamos uma milher, um amigo, uma cidade, de uma só vez. E também tudo se parece: Xangai, Moscou, Argel, ao fim de 15 dias é tudo igual. Por alguns momentos – raramente – avaliamos a situação, percebemos que nos envolvemos com uma mulher, que nos metemos em confusão. Por um átimo. Depois disso o desfile recomeça, voltamos a fazer as contas das horas e dos dias. (...)

A palavra “absurdo” surge agora sob a minha caneta; há pouco no jardim não a encontrei, mas também não a procurava, não precisava dela: pensava sem palavras, sobre as coisas, com as coisas. O absurdo não era uma idéia na minha cabeça, nem um sopro de voz, mas sim aquela longa serpente morta aos meus pés, aquela serpente de lenho. Serpente ou garra, ou raiz, ou gafa de abutre, pouco importa. E sem formular nada claramente, compreendi que havia encontrado a chave da existência, chave de minhas náuseas, de minha própria vida. De fato, tudo o que pude captar a seguir liga-se a esse absurdo fundamental. Absurdo: ainda uma palavra; debato-me com as palavras (....) .

O mundo das explicações e das razões não é o da existência. Um cículo não é absurdo, é perfeitamente explicável pela rotação de um segmento de reta em torno de uma de suas extremidades. Mas também um círculo não existe. (...)


Sou livre: já não me resta nenhuma razão para viver, todas as que tentei cederam e já não posso imaginar outras. Ainda sou bastante jovem, ainda tenho força bastante para recomeçar. Mas recomeçar o quê? Só agora compreendo o quanto, no auge de meus terrores, de minhas náuseas, tinha contado com Anny para me salvar. Meu passado está morto. O Sr. De Rollebon está morto, Anny só retornou para me tirar toda a esperança. Estou sozinho nesta rua branca guarnecida de jardins. Sozinho e livre. Mas essa liberdade se assemelha um pouco à morte. (...)

Lúcida, imóvel, deserta, a consciência se encontra entre as paredes; perpetua-se. Já ninguém a habita. Ainda agora alguém dizia EU, dizia minha consciência. Quem?

Estrangeiro (Camus)

Resumiu os fatos a partir da morte de mamãe. Relembrou minha insensibilidade, o meu desconhecimento da idade dela, o meu banho de mar do dia seguinte, com uma mulher, o cinema, Fernandel e, por fim, a volta com Marie. Levei tempo para compreender, nesse momento, por que ele dizia “sua amante” e, para mim, ela era Marie. Chegou, em seguida, à história de Raymond . Achei que à sua maneira de ver os acontecimentos não faltava clareza. O que dizia era plausível. Eu combinara com Raymond escrever a carta para atrair sua amante e entregá-la aos maus tratos de um homem de “moral duvidosa”. Eu provocara, na praia, os adversários de Raymond. Este fora ferido. Eu lhe pedira o revólver. Voltara sozinho para me servir dele. Abatera o árabe, tal como planejava. Disparara uma vez. Esperara. E, “para ter certeza de que o trabalho fora bem feito”, disparara mais quatro balas, calmamente, com firmeza, de uma forma de certo modo refletida.
- E aqui está, meus senhores – disse o promotor. Acabo de descrever, diante dos senhores, a série de acontecimentos que levaram este homem a matar com pleno conhecimento de causa.. Insisto nisso – disse ele. – Pois não se trata de um crime comum, de um ato impensado que os senhores poderiam achar atenuado para as circunstâncias. Este homem, senhores, este homem é inteligente. Ouviram-no falar, não é verdade? Sabe responder. Conhece o valor das palavras. E não se pode dizer que tenha agido sem dar conta do que estava fazendo.

quinta-feira, junho 14, 2007

Gunter Grass

"De novo recorro aqui à data que hoje comemoro. A título de final, posso oferecer meu trigésimo aniversário a todos aqueles que acham a escada rolante demasiado barulhenta e a quem a bruxa negra não inspira medo algum. Pois, não é porventura o trigésimo aniversário o mais significativo de todos os aniversários? Contém o três e permite adivinhar os sessenta, ainda que os torne supérfluos. Enquanto esta manhã as trinta velas ardiam de meu bolo de aniversário, tive vontade de chorar de alegria e entusiasmo, no entanto me contive por causa de Maria: porque aos trinta anos não se deve chorar."

sábado, junho 09, 2007

Desaforismos sem juízo 2

Não acredito em um deus que não saiba patinar.

sexta-feira, junho 01, 2007

Sexta feira feliz é...

Percussion Discussion- Mingus @ the Bohemia
The Mercenary - Lee Morgan - Sonic Boom
Capuchin Swing - Jackie Mclean
Ololufe Mi - Fela Kuti
Mast Nazroon Se Allah Bachhae - Nusrat Fateh
Dama Tereza - Instituto+Sabotage
Licence Complete - Vandermark
Invisible - Ornette Coleman
Fever - Dick Dale

quinta-feira, maio 24, 2007

Iessiênin

“Até logo companheiro,
Guardo-te no peito e te asseguro:
Nosso afastamento é passageiro
É sinal de um encontro futuro

Adeus, amigo, sem mãos nem palavras.
Não faças um sobrolho pensativo.
Se morrer, nesta vida, não é novo,
Tampouco há novidade em estar vivo.”

Maiakóvski

“Você partiu
como se diz,
para outro mundo

Vácuo...
Você sobe,
Entremeado às estrelas.

Nem álcool,
Nem moedas
Sóbrio
Vôo sem fundo.
Não Iessiênin,
Não posso
Fazer troça –
Na boca
Uma lasca amarga
Não a mofa.
Olho –
Sangue nas mãos frouxas
Você sacode
O invólucro
Dos ossos
Pare,
Basta!
Você perdeu o senso?
Deixar
Que a cal
Mortal
Lhe cubra o rosto?
Você,
Com todo esse talento
Para o impossível
Hábil
Como poucos.
Por que?
Para quê?
Perplexidade.
- É o vinho
-a crítica esbraveja.
Tese:
Refratário à sociedade.
Corolário:
Muito vinho e cerveja
Sim,
Se você trocasse
A vida boêmia
Pela classe,
A classe agiria em você,
E lhe daria um norte.
A classe
Por acaso
Mata a sede com xarope?
Ela quer beber –
- nada tem de abstêmia.
Sim,
Se você tivesse
Um patrono no “Posto”-
Ganharia
Um conteúdo bem diverso:
Todo dia
Uma quota
de cem versos,
longos
e lerdos
como Dorônin.
Remédio?
Para mim,
Despautério:
Mais cedo ainda
Você estaria nessa corda.
Melhor
Morrer de vodca
Que de tédio!
Não revelam
As razões deste impulso
Nem o nó
Nem a navalha aberta.
Talvez,
Se houvesse tinta
No “Inglaterra”
Você não cortaria os pulsos.
Os plagiários felizes
Pedem: bis!
Já todo
Um pelotão
Em auto-execução.
Para que
Aumentar
O rol de suicidas?
Antes
Aumentar
A produção de tinta!
Agora
Para sempre
Tua busca
Está cerrada.

Difícil
E inútil
Excogitar enigmas
O povo,
O inventa-línguas,
Perdeu
O canoro
Contramestre de noitadas.
E levam
Versos velhos
Ao velório,
Sucata
De extintas exéquias.
Rimas gastas
Empalam
Os despojos –
É assim
Que se honra
Um poeta?
Não
Te ergueram ainda um monumento –
Onde
O som do bronze
Ou o grave granito? –
E já vão
Empilhando do jazigo
Dedicatórias e ex-votos:
Excremento.
Teu nome
Escorrido no muco,
Teus versos,
Sobinov os babuja,
Voz quérula
Sob bétulas murchas -
“Nem palavra, amigo
nem so-lu-ço”
Ah,
Que eu saberia dar um fim
Á esse Leonid Loengrim!
Saltaria
- escândalo estridente:
Chega
De tremores de voz!
Assobios
Nos ouvidos dessa gente,
Ao diabo
Com suas mães e avós!
Para que toda
Essa corja explodisse
Inflando
Os escuros
Redingotes,
E Kógan
Atropelado fugisse,
Espetando
Os transeuntes
Nos bigodes.
Por enquanto
Há escória
de sobra.
O tempo é escasso –
Mãos à obra,
Primeiro
é preciso
transformar a vida,
Para cantá-la
Em seguida.
Os tempos estão duros
Para o artista:
Mas dizei-me,
Anêmicos e anões,
Os grandes
Onde,
Em que ocasião,
Escolhera,
Uma estrada
Batida?
General
Da força humana
- Verbo -
marche!
Que o tempo
Cuspa balas
Para trás,
E o vento
No passado
Só desfaça
Um maço de cabelos.
Para o júbilo
O planeta
Está imaturo.
É preciso
Arrancar alegria
Ao futuro.
Nesta vida
Morrer não é difícil
O difícil
É a vida e seu ofício”

sábado, maio 05, 2007

Musil 3

Quanto melhor a cabeça, tanto menos se percebe dela nesse processo. Por isso o pensamento, enquanto não está acabado, é um estado muito miserável, parecido com uma cólica de todas as volutas do cérebro; e quando fica concluído, já não tem a forma de um pensamento, como se experimentou, mas tem forma de algo pensado, o que infelizmente é impessoal, pois o pensamento se dirige para fora e se comunica ao mundo. Praticamente não se consegue surpreender o momento entre o pessoal e o impessoal, quando alguém pensa, e por isso o pensamento é um fato tão embaraçoso para os escritores, que estes o preferem evitar.

Grass

Eu, contudo, não sei. Não sei, por exemplo, quem se esconde hoje em dia sob as barbas do Papai Noel, não sei quem o diabo leva em seu alforje, não sei como se abrem e fecham as chaves do gás; pois volta a se difundir um ar de advento, ou continua se difundindo ainda, não sei, talvez a título de ensaio; não sei para quem estarão ensaiando, não sei se posso crer, oxalá sim, que limpem com amor as chaves do gás para que cantem não sei em que manhã, não sei em que tarde, não sei se as horas do dia têm algo a ver com isso; porque o amor não tem hora, e a esperança não tem fim, e a fé não tem limites; só o saber e a ignorância estão ligados ao espaço e ao tempo, e terminam a maioria das vezes prematuramente nas barbas, alforjes e amêndoas, de modo que volto a repetir: eu não sei, oh, eu não sei, por exemplo, com que se enchem as tripas, que intestinos são necessários para preenchê-las, não sei com quê, por mais legíveis que sejam os preços do recheio, fino ou grosseiro; não sei o que está compreendido no preço, não sei com que se recheiam os dicionários, assim como as tripas; não sei de quem é a carne nem a linguagem: as palavras significam, os açougueiros calam, eu corto vidros, você abre os livros, eu leio aquilo de que gosto, você não sabe de que gosta: fatias de lingüiça e citações de tripas e livros – e nunca chegaremos a saber quem teve de calar quem teve de emudecer para que as tripas pudessem se encher e os livros pudessem falar, livros embutidos, apertados, de letra miúda, não sei, mas suspeito: são os mesmos açougueiros que enchem os dicionários e as tripas com linguagem e com lingüiça; não há nenhum Paulo, o homem se chamava Saulo, e como Saulo falou à gente de Corinto de algumas lingüiças prodigiosas, que chamou de fé, esperança e amor, e elogiou-as dizendo que eram de fácil digestão, e ainda hoje, sob alguma das formas sempre mutantes de Saulo, tenta impingi-las a nós.

Quanto a mim, arrebataram-me o vendedor de brinquedos e, com ele, queriam eliminar do mundo os brinquedos.

Era uma vez um músico que se chamava Meyn e tocava trompete maravilhosamente.

Era uma vez um vendedor de brinquedos que se chamava Markus e vendia tambores de lata esmaltados de vermelho e branco.
Era uma vez um músico que se chamava Meyn e tinha quatro gatos, um dos quais se chamava Bismark.

Era uma vez um tambor que se chamava Oskar e dependia do vendedor de brinquedos.
Era uma vez um músico que se chamava Meyn e matou seus quatro gatos com o atiçador.
Era uma vez um relojoeiro que se chamava Laubschad e era membro da sociedade protetora dos animais.

Era uma vez um tambor que se chamava Oskar e lhe arrebentaram o seu vendedor de brinquedos.
Era uma vez um vendedor de brinquedos que se chamava Markus e levou consigo todos os brinquedos do mundo.
Era uma vez um músico que se chamava Meyn e, se não está morto, continua vivendo hoje e tocando sempre maravilhosamente o trompete.

Prezados

Prezar, na versão pronominal = sentir orgulho de si mesmo, ter amor-próprio. Uma mulher que se preza não aceita vitupérios.

terça-feira, abril 24, 2007

Amarelinha

“Toco a tua boca, com um dedo toco o contorno da tua boca, vou desenhando essa boca como se estivesse saindo da minha mão, como se pela primeira vez a tua boca se entreabrisse e basta-me fechar os olhos para desfazer tudo e recomeçar. Faço nascer, de cada vez, a boca que desejo, a boca que a minha mão escolheu e te desenha no rosto, uma boca eleita entre todas, com a soberana liberdade eleita por mim para desenhá-la com a minha mão em teu rosto e que por um acaso, que não procuro compreender, coincide exatamente com a tua boca que sorri debaixo daquela que a minha mão te desenha.
Tu me olhas, de perto tu me olhas, cada vez mais de perto e, então brincamos de ciclope, olhamo-nos cada vez mais de perto e nossos olhos se tornam maiores, aproximam-se, sobrepõem-se e os ciclopes se olham, respirando indistintas, as bocas encontram-se e lutam debilmente, mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes, brincando nas suas cavernas, onde um ar pesado vai e vem com um perfume antigo e um grande silêncio”.

Da beleza

Wanderley Guilherme dos Santos, embora não original, resume bem: " As publicações consagram o consagrado, garantia de sucesso de vendagem. Nelas se pode até datar os momentos de transformação no conceito de beleza, que outra coisa não é senão apresentar como belo algumas opções de feio, pois, enquanto o conceito de beleza é único, o de feiúra é plural. Todas as formas estéticas que diferem daquela considerada bela são feias." e " o assassinato da última beleza será ao mesmo tempo o assassinato do último feio". Do Eu&, Valor, 13/04/07.

Nothing left to loose



Os chaveirinhos de souvenir da estátua da liberdade são feitos na China. Que não é um país livre.

Eu acredito em gnomos

"The secret" ofende o razoável. Não serve nem pra dar risada.

domingo, março 04, 2007

A Train

You must take the A Train
To go to Sugar Hill way up in Harlem
If you miss the A Train
You'll find you've missed the quickest way to Harlem
Hurry, get on, now, it's coming
Listen to those rails a-thrumming (All Aboard!)
Get on the A Train
Soon you will be on Sugar Hill in Harlem

Whitman

“This is what you shall do: love the earth and the sun the animals, depise the riches, give alms to alks, stand up for stupid and crazy, devote your income and labour to others, hate tyrants, argue not concerning god, have patience and indulgence toward the people, take you hat to nothing known or unknown or to any man or number of men, go freely with powerful uneducated persons and the young and the mother of families, read these leaves in open air every season of every year of your life, re-examine all you have been told at school or church or in any book, dismiss whatever insults in your soul, and your very flesh shall be a great poem and have the richest fluency not only in word but in the silent lines of its lips and face between the lashes of your eyes and in every motion and joint of your body”

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

ToDo revisited

Viver é a única urgência.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Rosa

“Refiro ao senhor: um outro doutor, doutor rapaz, que explorava as pedras turmalinas no vale do Araçuaí, discorreu me dizendo que a vida da gente encarna e reencarna, por progresso próprio, mas que deus não há. Estremeço. Como não ter deus?! Com deus existindo, tudo dá esperança: sempre um milagre é possível , o mundo se resolve. Mas se não tem deus, há-de a gente perdidos no vai e vem, e a vida é burra. É o aberto perigoso das grandes e pequenas horas, não se podendo facilitar – é contra todos os acasos. Tendo deus, então, a gente não tem licença de coisa nenhuma! Porque existe dor. E a vida do homem, está presa encantoada – erra rumo, dá em aleijões como esses, dos meninos sem pernas nem braços. Dor não até em criancinhas e bichos, e nos doidos – não dói sem precisar de se ter razão nem conhecimentos? E as pessoas não nascem sempre? Ah, medo tenho não é de morte, mas de ver nascimento. Medo mistério. O senhor não vê? O que não é deus, é estado de demônio. deus existe mesmo quando não há. Mas demônio não existir para haver – a gente sabendo que ele não existe, aí é que ele toma conta de tudo. Inferno é um sem-fim que nem não se pode ver. Mas a gente quer o céu é porque quer um fim: mas com um fim com depois dele a gente tudo vendo. Se estou falando às flautas, o senhor me corte. Meu modo é este. Nasci para não ter igual em meus gostos. O que invejo é a instrução do senhor”

sábado, fevereiro 10, 2007

Desaforismos

Se deus é por nós, quem precisa de inimigos?

Trópico de capricórnio

“A vida corre sem rumo diante da vitrina. Eu estou ali deitado como um presunto iluminado esperando que um machado caia. Na verdade, nada há a temer, porque tudo é cuidadosamente cortado em pequenas fatias e embrulhado em celofane. De repente todas as luzes da cidade apagam-se e as sereias soam seu alarma. A cidade está envolta em gás venenoso, bombas estão estourando, corpos mutilados voam pelo ar. Há eletricidade em tôda parte, assim como sangue, estilhaços e alto-falantes. Os homens no ar estão cheios de alegria; os que se encontra embaixo estão gritando e berrando. Após os gás e as chamas terem comido tôda a carne começa a dança do esqueleto. Eu observo da vitrina que agora está escura. É melhor que o saque de Roma porque há mais coisas a destruir.

Por que os esqueletos dançam com tal êxtase? – pergunto eu. É a queda do mundo? É a dança da morte que com tanta freqüência foi anunciada? É pavoroso ver milhões de esqueletos dançando na neve enquanto a cidade afunda. Alguma coisa voltará a nascer? Crianças sairão do útero? Haverá comida e vinho? Há homens no ar, não há dúvida. Eles descerão para saquear. Haverá cólera e disenteria. Aquêles que estavam em cima e triunfantes perecerão com o resto. Tenho a firme impressão de que serei o último homem sobre a terra. Sairei da vitrina quando tudo estiver acabado e caminharei sobre as ruínas. Terei a terra inteira só pra mim."

Tarde

de tanta raiva aprendeu um gesto novo.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

utilidades da cultura

"(...) a cultura pode fazer você atentar melhor para o que diz, evitando diversos mal-entendidos verbais que geram tanto desperdício de energia no cotidiano de todos. Não soa útil? A cultura pode fazer de você melhor aluno ou professor, não só por complementar a formação curricular (cultura é sempre crédito opcional nas escolas e faculdades), mas sobretudo por ajudar a contestar tal formação e, no processo, até mesmo assimilá-la com menos dificuldade. Há exemplos à mancheia. Dizem ainda que a cultura serve para reforçar a identidade, mas é justamente o contrário: ela serve para perceber nuances entre as identidades, justamente com o objetivo de esgarçar limitações e não cair na rede de ironias históricas. Cultura não é apenas encontro com o país, é também desencontro, desterro, disjunção.

E há a questão existencial, digamos assim. Se nos resta o que Rimbaud resumiu, "preservar o vigor combativo e aclamar a beleza", dado o número de incertezas, frustrações e azares que qualquer pessoa sofre, o que é melhor do que a cultura para nos ensinar isso? Pois cultura é útil num sentido mais indireto, que é o de intensificar a percepção, aguçar a inteligência, ampliar a sua capacidade de associar e antecipar, fazendo de você melhor ser humano, melhor profissional, não mais "feliz" ou "bem-sucedido" - e sim, ao mesmo tempo menos orgulhoso e mais seguro, menos complacente e mais compreensivo, menos crédulo e mais produtivo, menos passivo e mais alerta.

O problema é que a escala de valores vigente - a cultura - induz uma esperança em moto-perpétuo, um otimismo auto-viciador, uma ilusão de satisfação plena, com os outros e objetos, movida a dicotomias baratas, para a qual a própria cultura é antídoto. O resto é cereja."

Falou e disse, Piza, em 08/99

Musil 2

"Na idade em que ainda se levam a sério coisas como alfaiate e barbeiro e se gosta de olhar no espelho, muitas vezes imaginamos em algum lugar onde gostaríamos de passar a vida, ou pelo menos um lugar onde é elegante viver, mesmo sentindo, que, pessoalmente, não seria tão bom estar lá. Uma dessas obsessões é há muito tempo uma espécie de cidade superamericana, onde todo mundo corre ou pára com cronômetro na mão. Céu e terra formam um formigueiro varado pelos diversos andares de ruas sobrepostas. Trens aéreos, trens terrestres, trens subterrâneos, pessoas transportadas por correio pneumático, comboios de automóveis disparam na horizontal, ascensores rápidos bombeiam verticalmente massas humanas de um nível de trânsito a outro; salta-se de um meio locomotor a outro nos pontos de junção, sem pensar, sugado e arrebatado pelo ritmo dos veículos que entre duas corridas trovejantes fazem uma síncope, uma pausa, uma pequena brecha de vinte segundos; trocam-se algumas palavras nos intervalos desse ritmo geral. Perguntas e respostas articulam-se como peças de máquina, cada pessoa tem apenas tarefas bem determinadas, as profissões estão agrupadas em lugares certos, come-se em pleno movimento, as diversões estão reunidas noutras partes da cidade, e em outros locais encontram-se as torres onde ficam esposa, família, gramofone e alma. Tensão e distensão, atividade e amor são absolutamente separadas no tempo, e equilibradas segundo experiências de laboratório. Caso haja alguma dificuldade em qualquer uma dessas ações, simplesmente se larga tudo; pois encontra-se outra coisa, ou eventualmente algum caminho melhor, ou outro encontrará o caminho que nós não achamos; não tem nenhuma importância, uma vez que nada causa tanto desperdício da força comum quanto presumir que se tem missão de não largar determinado objetivo pessoal. Numa comunidade através da qual correm energias, todo caminho leva a um bom objetivo, desde que não se hesite nem se reflita demais. Os objetivos são a curto prazo: mas também a vida é curta, e assim conseguimos arrancar dela o máximo de realização. A pessoa não precisa mais que isso para ser feliz, pois aquilo que se obtém modela a alma, enquanto aquilo que se deseja, sem conseguir, apenas a deforma; para a felicidade importa muito pouco o que se deseja, mas apenas o que seja obtido. Além disso a zoologia ensina que de uma soma de indivíduos reduzidos pode resultar um todo genial. " (in: O Homem sem qualidades)

Adiamento

Perdoe-nos Clarice, se suas palavras servem tão bem às bocas de tantos.

Durante a noite, Marianne acorda gritando de medo. Johan acende a lâmpada da mesa-de-cabeceira e tenta abraçá-la para a tranquilizar, mas ela se liberta a se levanta, começando a andar de uma lado para o outro. Johan espera em silêncio que diga alguma coisa.” Ela o encara, da cabeça aos pés, com terror nos olhos. Ao perceber que M. mantinha-se muda, Johan pergunta:
J:Há algo de errado?
M: Eu o matava.
J (confuso): No seu sonho?
M: É. Pela garganta. Estrangulava. Como se tivesse tal força nas mãos. Você não reagia, apenas me olhava. Não sentia dor, não pedia clemência.
J: Pensei que já tivesse superado isso. O que seu terapeuta falava sobre sonhos? Eles são óbvios!
M: Eu não tinha nenhum sentimento especial, nada relacionado ao passado. Pelo menos, não que me lembre.
J: Então por que acordou assustada?
M: No último instante, no segundo que faltava para calar sua voz, senti, eu, uma estranha dor na cabeça. Ela passou a se alastrar pelo corpo inteiro. Tudo doeu. Logo em seguida passei a ficar amortecida. Meus olhos passaram a ver menos, meus ouvidos pareciam submersos, enquanto minhas mãos...
M. Olha para as mãos, analisando cada um de seus veios, esfregando os dedos uns contra os outros, experimentando-os
J: Suas mãos?
M: Deixa pra lá. Foi apenas um sonho.
J: Você deve estar com fome.
M: Sim, vou comer algo. Você quer?
J: Não, estou com sono. Se não se importa, vou dormir.

Marianne vai até a cozinha. Abre sua bolsa onde estão os alimentos. Nenhum lhe apetece. Encontra seu caderno de anotações. Procura por uma caneta, que encontra dentro do armário da sala. Senta-se no sofá e escreve:

“Eu estava habituada somente a transcender. Esperança para mim era adiamento. Eu nunca havia deixado minha alma livre, e me havia organizado depressa em pessoa porque é arriscado demais perder-se a forma. Ma vejo agora que na verdade me acontecia: eu tinha tão pouca fé que havia inventado apenas o futuro, eu acreditava tão pouco no que existe que adiava a atualidade para uma promessa e para um futuro.

Mas descubro que não é necessário ter esperança. É muito mais grave. Ah, sei que estou de novo mexendo no perigoso e que deveria calar-me para mim mesma. Não se deve dizer que a esperança não é necessária, pois isto deveria vir a se transformar, já que sou fraca, em arma destruidora. E para ti mesmo, em arma utilitária de destruição.

Eu poderia não entender e tu poderias não entender que prescindir da esperança - na verdade significa ação, e hoje. Não, não é destruidor, espera, deixa eu nos entender. Trata-se de assunto proibido não porque é ruim, mas porque nós nos arriscamos. (...) Sei que é perigoso falar na falta de esperança, mas ouve - está havendo em mim uma alquimia profunda, e foi no fogo do inferno que ela se forjou. E isso me dá o direito maior: o de errar.”

J acorda e vai até M., abraçando-a: Está tarde, vamos dormir.
M: olha para J., eles se beijam.
J (comovido e confuso): Será que perdemos algo de importante?
M: Isso não importa mais. Vamos dormir.

Eles se deitam, J. Abraça M. Ela pega seu braço, reforçando o movimento.
M: Boa Noite.
J apenas beija seu pescoço.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

sophisticado

que se sofisticou 1 enganado com sofismas 2 que foi alterado fraudulentamente; falsificado, adulterado 3 que tem sutileza ou utilidade sofística 4 que não é natural; postiço, artificial, afetado 5 falsamente intelectual ou rebuscado Ex.: linguagem s. 6 que tem requinte, originalidade, bom gosto; fino, requintado Ex.: 7 que demonstra conhecimentos profundos e atualizados sobre (alguma coisa); profundo, complexo, erudito Ex.: 8 que é muito avançado, complexo, bem aparelhado, eficiente; aprimorado Ex.: exame s. do cérebro

terça-feira, janeiro 30, 2007

Dias de 36 horas

Conseguimos: juntando o acesso a todas as mídias, os dias passam de 24 horas, chegando a 36:
"Study after study confirms it. People are consuming more media than ever, but they are not dropping one in favor of another," says Ms. Williamson. "They are juggling, multitasking and figuring out ways to use a number of media channels at the same time. (no emarketer).

Bem de acordo com esse janeiro corrido. A gente também devia usar isso pra aprender idiomas, fazer exercícios, tocar, ler e namorar.

domingo, janeiro 07, 2007

Capote

"Never love a wild thing, Mr. Bell", Holly advised him. "That was Doc's mistake He was always lugging home wild things. A hawk with a hurt wing. One time it was a full-grown bobcat with a broken leg. But you can't give your heart to a wild thing: the more you do , the stronger they get. Until they're strong enough to run into the woods. Or fly into a tree. Then a taller tree. Then the sky. That's how you end, Mr. Bell. If you let yourself love a wild thing. You'll end up looking at the sky.

Prioridades

"Uma extensa fronteira separa as exigências de um "early adopter" das de um consumidor "cético". Os telemáticos "early adopters" buscam superioridade tecnológica e não se importam com preços. Os demais consumidores, os ditos "conservadores", atrasam-se na adoção da novidade porque buscam confiabilidade e simplicidade - ligar, usar e não falar mais nisso. "o mundo do consumidor é muito diferente do mundo high-tech dos viciados em tecnologia e dos que experimentam os produtos e escrevem sobre eles na mídia, escreve (Donald A.) Norman.
(...)
A tecnologia pode dar a ilusão de integrar as pessoas, mas não necessariamente aguçar o espírito crítico. Aí reside um risco: o de que no próximo século a maioria das pessoas vivam "on-line" entre si e "off-line" consigo mesmas ou em relação às raízes do conhecimento. Num cenário de paradoxos e extremos, como conciliar o que é tecnologicamente prioritário, eletronicamente útil e financeiramente possível? É uma pergunta para reflexões temporárias, não para definições universais. "

Villas Boas, Sérgio. Gazeta Mercantil,Caderno Fim de Semana, 07/08/1999.

segunda-feira, janeiro 01, 2007

Monk alone

Anda na corda bamba de olhos fechados e ainda dá voltinhas. Fêla. Sublime.

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