Textos, trechos, artigos e comentários encontrados por aí.
quarta-feira, dezembro 12, 2007
Jorge Luiz Borges II
- Si, el lugar donde está, sin confundirse, todos los lugares del orbe, visto desde todos los ángulos.
Jorge Luiz Borges I
Dostoievski
terça-feira, outubro 23, 2007
Adendo a Thiago de Mello
quinta-feira, outubro 18, 2007
quinta-feira, outubro 11, 2007
domingo, outubro 07, 2007
Palahniuk

Musil 4
sexta-feira, setembro 07, 2007
Clarice, uma entre tantas
“Quero
“
domingo, setembro 02, 2007
Mishima
sábado, junho 30, 2007
Queda (Camus)
(...)
Antigamente, só tinha liberdade na boca. No café da manhã, eu a passava nas minhas torradas, mastigava-a durante todo o dia, levava ao mundo um hálito deliciosamente refrescado pela liberdade.
(...)
Enfim, como se vê, o essencial não é mais ser livre e obedecer, no arrependimento, a quem for mais malandro do que nós. Quando formos todos culpados, será a democracia. Sem contar, caro amigo, que é preciso nos vingarmos de ter de morrer sozinhos. A morte é solitária, ao passo que a solidão é coletiva.
Náusea (Sartre)
Quando se vive, nada acontece. Os cenários mudam, as pessoas entram e saem, eis tudo. Nunca há começos. Os dias se sucedem aos dias, sem rima nem razão: é uma soma monótona e interminável. De quando em quando se procede a um total parcial, dizendo: faz três anos que eu não viajo, três anos que estou em Bouville. Também não há fim: nunca deixamos uma milher, um amigo, uma cidade, de uma só vez. E também tudo se parece: Xangai, Moscou, Argel, ao fim de 15 dias é tudo igual. Por alguns momentos – raramente – avaliamos a situação, percebemos que nos envolvemos com uma mulher, que nos metemos em confusão. Por um átimo. Depois disso o desfile recomeça, voltamos a fazer as contas das horas e dos dias. (...)
A palavra “absurdo” surge agora sob a minha caneta; há pouco no jardim não a encontrei, mas também não a procurava, não precisava dela: pensava sem palavras, sobre as coisas, com as coisas. O absurdo não era uma idéia na minha cabeça, nem um sopro de voz, mas sim aquela longa serpente morta aos meus pés, aquela serpente de lenho. Serpente ou garra, ou raiz, ou gafa de abutre, pouco importa. E sem formular nada claramente, compreendi que havia encontrado a chave da existência, chave de minhas náuseas, de minha própria vida. De fato, tudo o que pude captar a seguir liga-se a esse absurdo fundamental. Absurdo: ainda uma palavra; debato-me com as palavras (....) .
O mundo das explicações e das razões não é o da existência. Um cículo não é absurdo, é perfeitamente explicável pela rotação de um segmento de reta em torno de uma de suas extremidades. Mas também um círculo não existe. (...)
Sou livre: já não me resta nenhuma razão para viver, todas as que tentei cederam e já não posso imaginar outras. Ainda sou bastante jovem, ainda tenho força bastante para recomeçar. Mas recomeçar o quê? Só agora compreendo o quanto, no auge de meus terrores, de minhas náuseas, tinha contado com Anny para me salvar. Meu passado está morto. O Sr. De Rollebon está morto, Anny só retornou para me tirar toda a esperança. Estou sozinho nesta rua branca guarnecida de jardins. Sozinho e livre. Mas essa liberdade se assemelha um pouco à morte. (...)
Lúcida, imóvel, deserta, a consciência se encontra entre as paredes; perpetua-se. Já ninguém a habita. Ainda agora alguém dizia EU, dizia minha consciência. Quem?
Estrangeiro (Camus)
- E aqui está, meus senhores – disse o promotor. Acabo de descrever, diante dos senhores, a série de acontecimentos que levaram este homem a matar com pleno conhecimento de causa.. Insisto nisso – disse ele. – Pois não se trata de um crime comum, de um ato impensado que os senhores poderiam achar atenuado para as circunstâncias. Este homem, senhores, este homem é inteligente. Ouviram-no falar, não é verdade? Sabe responder. Conhece o valor das palavras. E não se pode dizer que tenha agido sem dar conta do que estava fazendo.
quinta-feira, junho 14, 2007
Gunter Grass
"De
sábado, junho 09, 2007
sexta-feira, junho 01, 2007
Sexta feira feliz é...
The Mercenary - Lee Morgan - Sonic Boom
Capuchin Swing - Jackie Mclean
Ololufe Mi - Fela Kuti
Mast Nazroon Se Allah Bachhae - Nusrat Fateh
Dama Tereza - Instituto+Sabotage
Licence Complete - Vandermark
Invisible - Ornette Coleman
Fever - Dick Dale
quinta-feira, maio 24, 2007
Iessiênin
Guardo-te no peito e te asseguro:
Nosso afastamento é passageiro
É sinal de um encontro futuro
Adeus, amigo, sem mãos nem palavras.
Não faças um sobrolho pensativo.
Se morrer, nesta vida, não é novo,
Tampouco há novidade em estar vivo.”
Maiakóvski
como se diz,
para outro mundo
Vácuo...
Você sobe,
Entremeado às estrelas.
Nem álcool,
Nem moedas
Sóbrio
Vôo sem fundo.
Não Iessiênin,
Não posso
Fazer troça –
Na boca
Uma lasca amarga
Não a mofa.
Olho –
Sangue nas mãos frouxas
Você sacode
O invólucro
Dos ossos
Pare,
Basta!
Você perdeu o senso?
Deixar
Que a cal
Mortal
Lhe cubra o rosto?
Você,
Com todo esse talento
Para o impossível
Hábil
Como poucos.
Por que?
Para quê?
Perplexidade.
- É o vinho
-a crítica esbraveja.
Tese:
Refratário à sociedade.
Corolário:
Muito vinho e cerveja
Sim,
Se você trocasse
A vida boêmia
Pela classe,
A classe agiria em você,
E lhe daria um norte.
A classe
Por acaso
Mata a sede com xarope?
Ela quer beber –
- nada tem de abstêmia.
Sim,
Se você tivesse
Um patrono no “Posto”-
Ganharia
Um conteúdo bem diverso:
Todo dia
Uma quota
de cem versos,
longos
e lerdos
como Dorônin.
Remédio?
Para mim,
Despautério:
Mais cedo ainda
Você estaria nessa corda.
Melhor
Morrer de vodca
Que de tédio!
Não revelam
As razões deste impulso
Nem o nó
Nem a navalha aberta.
Talvez,
Se houvesse tinta
No “Inglaterra”
Você não cortaria os pulsos.
Os plagiários felizes
Pedem: bis!
Já todo
Um pelotão
Em auto-execução.
Para que
Aumentar
O rol de suicidas?
Antes
Aumentar
A produção de tinta!
Agora
Para sempre
Tua busca
Está cerrada.
Difícil
E inútil
Excogitar enigmas
O povo,
O inventa-línguas,
Perdeu
O canoro
Contramestre de noitadas.
E levam
Versos velhos
Ao velório,
Sucata
De extintas exéquias.
Rimas gastas
Empalam
Os despojos –
É assim
Que se honra
Um poeta?
Não
Te ergueram ainda um monumento –
Onde
O som do bronze
Ou o grave granito? –
E já vão
Empilhando do jazigo
Dedicatórias e ex-votos:
Excremento.
Teu nome
Escorrido no muco,
Teus versos,
Sobinov os babuja,
Voz quérula
Sob bétulas murchas -
“Nem palavra, amigo
nem so-lu-ço”
Ah,
Que eu saberia dar um fim
Á esse Leonid Loengrim!
Saltaria
- escândalo estridente:
Chega
De tremores de voz!
Assobios
Nos ouvidos dessa gente,
Ao diabo
Com suas mães e avós!
Para que toda
Essa corja explodisse
Inflando
Os escuros
Redingotes,
E Kógan
Atropelado fugisse,
Espetando
Os transeuntes
Nos bigodes.
Por enquanto
Há escória
de sobra.
O tempo é escasso –
Mãos à obra,
Primeiro
é preciso
transformar a vida,
Para cantá-la
Em seguida.
Os tempos estão duros
Para o artista:
Mas dizei-me,
Anêmicos e anões,
Os grandes
Onde,
Em que ocasião,
Escolhera,
Uma estrada
Batida?
General
Da força humana
- Verbo -
marche!
Que o tempo
Cuspa balas
Para trás,
E o vento
No passado
Só desfaça
Um maço de cabelos.
Para o júbilo
O planeta
Está imaturo.
É preciso
Arrancar alegria
Ao futuro.
Nesta vida
Morrer não é difícil
O difícil
É a vida e seu ofício”
sábado, maio 05, 2007
Musil 3
Grass
Quanto a mim, arrebataram-me o vendedor de brinquedos e, com ele, queriam eliminar do mundo os brinquedos.
Era uma vez um músico que se chamava Meyn e tocava trompete maravilhosamente.
Era uma vez um vendedor de brinquedos que se chamava Markus e vendia tambores de lata esmaltados de vermelho e branco.
Era uma vez um músico que se chamava Meyn e tinha quatro gatos, um dos quais se chamava Bismark.
Era uma vez um tambor que se chamava Oskar e dependia do vendedor de brinquedos.
Era uma vez um músico que se chamava Meyn e matou seus quatro gatos com o atiçador.
Era uma vez um relojoeiro que se chamava Laubschad e era membro da sociedade protetora dos animais.
Era uma vez um tambor que se chamava Oskar e lhe arrebentaram o seu vendedor de brinquedos.
Era uma vez um vendedor de brinquedos que se chamava Markus e levou consigo todos os brinquedos do mundo.
Era uma vez um músico que se chamava Meyn e, se não está morto, continua vivendo hoje e tocando sempre maravilhosamente o trompete.
Prezados
terça-feira, abril 24, 2007
Amarelinha
Tu me olhas, de perto tu me olhas, cada vez mais de perto e, então brincamos de ciclope, olhamo-nos cada vez mais de perto e nossos olhos se tornam maiores, aproximam-se, sobrepõem-se e os ciclopes se olham, respirando indistintas, as bocas encontram-se e lutam debilmente, mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes, brincando nas suas cavernas, onde um ar pesado vai e vem com um perfume antigo e um grande silêncio”.
Da beleza
domingo, março 04, 2007
A Train
To go to Sugar Hill way up in Harlem
If you miss the A Train
You'll find you've missed the quickest way to Harlem
Hurry, get on, now, it's coming
Listen to those rails a-thrumming (All Aboard!)
Get on the A Train
Soon you will be on Sugar Hill in Harlem
Whitman
quarta-feira, fevereiro 21, 2007
terça-feira, fevereiro 13, 2007
Rosa
sábado, fevereiro 10, 2007
Trópico de capricórnio
Por que os esqueletos dançam com tal êxtase? – pergunto eu. É a queda do mundo? É a dança da morte que com tanta freqüência foi anunciada? É pavoroso ver milhões de esqueletos dançando na neve enquanto a cidade afunda. Alguma coisa voltará a nascer? Crianças sairão do útero? Haverá comida e vinho? Há homens no ar, não há dúvida. Eles descerão para saquear. Haverá cólera e disenteria. Aquêles que estavam em cima e triunfantes perecerão com o resto. Tenho a firme impressão de que serei o último homem sobre a terra. Sairei da vitrina quando tudo estiver acabado e caminharei sobre as ruínas. Terei a terra inteira só pra mim."
sexta-feira, fevereiro 09, 2007
utilidades da cultura
E há a questão existencial, digamos assim. Se nos resta o que Rimbaud resumiu, "preservar o vigor combativo e aclamar a beleza", dado o número de incertezas, frustrações e azares que qualquer pessoa sofre, o que é melhor do que a cultura para nos ensinar isso? Pois cultura é útil num sentido mais indireto, que é o de intensificar a percepção, aguçar a inteligência, ampliar a sua capacidade de associar e antecipar, fazendo de você melhor ser humano, melhor profissional, não mais "feliz" ou "bem-sucedido" - e sim, ao mesmo tempo menos orgulhoso e mais seguro, menos complacente e mais compreensivo, menos crédulo e mais produtivo, menos passivo e mais alerta.
O problema é que a escala de valores vigente - a cultura - induz uma esperança em moto-perpétuo, um otimismo auto-viciador, uma ilusão de satisfação plena, com os outros e objetos, movida a dicotomias baratas, para a qual a própria cultura é antídoto. O resto é cereja."
Falou e disse, Piza, em 08/99
Musil 2
Adiamento
Perdoe-nos Clarice, se suas palavras servem tão bem às bocas de tantos.
Durante a noite, Marianne acorda gritando de medo. Johan acende a lâmpada da mesa-de-cabeceira e tenta abraçá-la para a tranquilizar, mas ela se liberta a se levanta, começando a andar de uma lado para o outro. Johan espera em silêncio que diga alguma coisa.” Ela o encara, da cabeça aos pés, com terror nos olhos. Ao perceber que M. mantinha-se muda, Johan pergunta:
J:Há algo de errado?
M: Eu o matava.
J (confuso): No seu sonho?
M: É. Pela garganta. Estrangulava. Como se tivesse tal força nas mãos. Você não reagia, apenas me olhava. Não sentia dor, não pedia clemência.
J: Pensei que já tivesse superado isso. O que seu terapeuta falava sobre sonhos? Eles são óbvios!
M: Eu não tinha nenhum sentimento especial, nada relacionado ao passado. Pelo menos, não que me lembre.
J: Então por que acordou assustada?
M: No último instante, no segundo que faltava para calar sua voz, senti, eu, uma estranha dor na cabeça. Ela passou a se alastrar pelo corpo inteiro. Tudo doeu. Logo em seguida passei a ficar amortecida. Meus olhos passaram a ver menos, meus ouvidos pareciam submersos, enquanto minhas mãos...
M. Olha para as mãos, analisando cada um de seus veios, esfregando os dedos uns contra os outros, experimentando-os
J: Suas mãos?
M: Deixa pra lá. Foi apenas um sonho.
J: Você deve estar com fome.
M: Sim, vou comer algo. Você quer?
J: Não, estou com sono. Se não se importa, vou dormir.
Marianne vai até a cozinha. Abre sua bolsa onde estão os alimentos. Nenhum lhe apetece. Encontra seu caderno de anotações. Procura por uma caneta, que encontra dentro do armário da sala. Senta-se no sofá e escreve:
“Eu estava habituada somente a transcender. Esperança para mim era adiamento. Eu nunca havia deixado minha alma livre, e me havia organizado depressa em pessoa porque é arriscado demais perder-se a forma. Ma vejo agora que na verdade me acontecia: eu tinha tão pouca fé que havia inventado apenas o futuro, eu acreditava tão pouco no que existe que adiava a atualidade para uma promessa e para um futuro.
Mas descubro que não é necessário ter esperança. É muito mais grave. Ah, sei que estou de novo mexendo no perigoso e que deveria calar-me para mim mesma. Não se deve dizer que a esperança não é necessária, pois isto deveria vir a se transformar, já que sou fraca, em arma destruidora. E para ti mesmo, em arma utilitária de destruição.
Eu poderia não entender e tu poderias não entender que prescindir da esperança - na verdade significa ação, e hoje. Não, não é destruidor, espera, deixa eu nos entender. Trata-se de assunto proibido não porque é ruim, mas porque nós nos arriscamos. (...) Sei que é perigoso falar na falta de esperança, mas ouve - está havendo em mim uma alquimia profunda, e foi no fogo do inferno que ela se forjou. E isso me dá o direito maior: o de errar.”
J acorda e vai até M., abraçando-a: Está tarde, vamos dormir.
M: olha para J., eles se beijam.
J (comovido e confuso): Será que perdemos algo de importante?
M: Isso não importa mais. Vamos dormir.
Eles se deitam, J. Abraça M. Ela pega seu braço, reforçando o movimento.
M: Boa Noite.
J apenas beija seu pescoço.
quinta-feira, fevereiro 08, 2007
sophisticado
terça-feira, janeiro 30, 2007
Dias de 36 horas
"Study after study confirms it. People are consuming more media than ever, but they are not dropping one in favor of another," says Ms. Williamson. "They are juggling, multitasking and figuring out ways to use a number of media channels at the same time. (no emarketer).
Bem de acordo com esse janeiro corrido. A gente também devia usar isso pra aprender idiomas, fazer exercícios, tocar, ler e namorar.
domingo, janeiro 07, 2007
Capote
Prioridades
(...)
A tecnologia pode dar a ilusão de integrar as pessoas, mas não necessariamente aguçar o espírito crítico. Aí reside um risco: o de que no próximo século a maioria das pessoas vivam "on-line" entre si e "off-line" consigo mesmas ou em relação às raízes do conhecimento. Num cenário de paradoxos e extremos, como conciliar o que é tecnologicamente prioritário, eletronicamente útil e financeiramente possível? É uma pergunta para reflexões temporárias, não para definições universais. "
Villas Boas, Sérgio. Gazeta Mercantil,Caderno Fim de Semana, 07/08/1999.




