“A vida corre sem rumo diante da vitrina. Eu estou ali deitado como um presunto iluminado esperando que um machado caia. Na verdade, nada há a temer, porque tudo é cuidadosamente cortado em pequenas fatias e embrulhado em celofane. De repente todas as luzes da cidade apagam-se e as sereias soam seu alarma. A cidade está envolta em gás venenoso, bombas estão estourando, corpos mutilados voam pelo ar. Há eletricidade em tôda parte, assim como sangue, estilhaços e alto-falantes. Os homens no ar estão cheios de alegria; os que se encontra embaixo estão gritando e berrando. Após os gás e as chamas terem comido tôda a carne começa a dança do esqueleto. Eu observo da vitrina que agora está escura. É melhor que o saque de Roma porque há mais coisas a destruir.
Por que os esqueletos dançam com tal êxtase? – pergunto eu. É a queda do mundo? É a dança da morte que com tanta freqüência foi anunciada? É pavoroso ver milhões de esqueletos dançando na neve enquanto a cidade afunda. Alguma coisa voltará a nascer? Crianças sairão do útero? Haverá comida e vinho? Há homens no ar, não há dúvida. Eles descerão para saquear. Haverá cólera e disenteria. Aquêles que estavam em cima e triunfantes perecerão com o resto. Tenho a firme impressão de que serei o último homem sobre a terra. Sairei da vitrina quando tudo estiver acabado e caminharei sobre as ruínas. Terei a terra inteira só pra mim."
Textos, trechos, artigos e comentários encontrados por aí.
sábado, fevereiro 10, 2007
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário