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sábado, maio 02, 2009

Robert Musil - O homem sem qualidades

“Nunca na vida “ouvira vozes”; por deus, ele não era desse tipo. Mas quando as ouvimos, é como a calma neve caindo. Repentinamente, paredes se elevam da terra aos céus; onde havia ar, caminhamos através de muros espessos e macios, e todas as vozes que saltitassem de um ponto a outro na gaiola do ar andam agora em liberdade no interior das paredes brancas unidas sem poros nem lacunas”

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“A corrente e pulsação que fluem sem cessar através de todas as coisas que nos rodeiam parara por um momento. Eu sou apenas casual, troçava a Necessidade; não pareço essencialmente diferente do rosto de um doente de lúpus, quando me contemplam sem preconceito, admitiu a Beleza. No fundo, não era preciso muita coisa; um verniz caíra, uma ilusão caíra, um traço de hábito, expectativa e tensão se rasgara, um equilíbrio fluido e secreto entre sentimento e mundo inquietara-se por um segundo. Tudo o que sentimos e fazemos acontecer de certa forma “na direção da vida”, e o menor movimento fora dessa direção é difícil ou assustador. É assim quando caminhamos: erguemos o centro de gravidade, empurramo-lo para diante e o deixamos cair; mas uma diminuta mudança, um pouco de receio desse lançar-se-no-futuro, ou simplesmente o espanto por fazermos isso, e já não podemos ficar em pé! É melhor não refletir. E Ulrich lembrou-se de que todos os momentos importantes e decisivos na sua vida tinham-lhe deixado uma sensação semelhante àquela”.

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“Nesses momentos nada tão distante quanto a idéia de que a vida que se leva, e que leva a gente, não nos interessa muito, não intimamente. Mas todo homem sabe disso enquanto é jovem. Ulrich recordava muito como lhe parecera um dia daqueles nestas ruas, há uma década ou década e meia. Tudo fora ainda uma vez tão magnífico, e contudo, naquele anseio fervente havia um doloroso pressentimento de cativeiro, uma sensação inquietante: tudo o que penso alcançar, me alcança; estou corroído por uma suspeita de que neste mundo as manifestações falsas, levianas e impessoais ecoam mais intensamente do que as íntimas e essenciais. Essa beleza – pensamos – tudo bem, mas será a minha? A verdade que eu conheço, será a minha verdade? Os objetivos, vozes, realidades, tudo isso me seduz, me atrai e me leva, que sigo e em que me precipito... será a verdade real, ou dela se mostra apenas um sopro inacessível, pousados sobre a realidade oferecida?”

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“Talvez para a maioria das pessoas seja agradável e seguro encontrar o mundo já pronto à exceção de algumas ninharias pessoais, e não se deve duvidar que o duradouro não é apenas conservador, mas também fundamenta todos os progressos e revoluções, embora isso cause um profundo e espectral desconforto às pessoas independentes”

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“Antigamente ser uma pessoa conferia um amplo pano de fundo à indagação pessoal de Ulrich. As pessoas pareciam-se com espigas de cereal; talvez fossem mais violentamente abaladas por deus, granizo, fogo, peste e guerra do que agora, mas o eram em conjunto, como cidade, campo país; e o que restava de movimento pessoal à espiga isolada era uma responsabilidade que se podia tomar, algo claramente delimitado. Hoje, em contrapartida, a responsabilidade já não tem o seu centro de gravidade no homem, mas em contextos objetivos. Não notaram que as vivências agora independem das pessoas? Transferiram-se para os teatros, os livros, os relatórios dos centros de pesquisa e viagens de estudos, estão nas comunidades ideológicas ou religiosas, que desenvolvem certos tipos de vivência à custa de outros, como uma tentativa experimental no campo social. E na medida em que hoje as vivências nação se situam no trabalho, ficam no ar; quem ainda pode dizer, hoje em dia, que sua raiva é realmente sua raiva, quanto tantas pessoas se metem no assunto e entendem mais do que ela?! Surgiu um mundo de qualidades sem homem, de vivências sem quem as vive, e quase parece que, num caso ideal, o ser humano já não vive mais nada pessoalmente, e o amável peso da responsabilidade pessoal se dilui num sistema de fórmulas de significados possíveis. Provavelmente a diluição do comportamento antropocêntrico que julgou o homem o centro do universo, mas há séculos está desaparecendo, por fim chegou ao próprio eu; pois a crença de que o mais importante na vivência é que se a viva, e na ação o mais importante é que se haja, começa a parecer ingenuidade para a maioria das pessoas. Mas ainda há quem viva de maneira inteiramente pessoal. Eles dizem “ontem estivemos aqui ou ali”, ou “hoje vamos fazer isso ou aquilo”, e se alegram, sem que seja necessário que tudo isso tenha outro conteúdo ou significação. Gostam de tudo o que podem tocar com os dedos, e são tão absolutamente indivíduos particulares quanto é possível ser: o mundo torna-se seu mundo particular assim que tem a ver com eles, e brilha como um arco-íris. Talvez sejam muito felizes, mas esse tipo de gente habitualmente parece absurdo aos outros, embora não se saiba por quê.

E de repente, pensando nisso, Ulrich teve de admitir, sorrindo, que ele era um caráter, sem ter caráter algum.”

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“ A comparação do mundo com um laboratório despertara nele outra vez uma idéia antiga. Um grande centro de experiências, onde se testavam as melhores maneiras de se fazer uma pessoa, e se deveriam descobrir novas: antigamente, muitas vezes se imaginara que a vida teria que ser assim, para lhe agradar. O fato de esse laboratório geral trabalhar sem grande planejamento, e de não haver diretores e teóricos, era outro assunto. Ele próprio gostaria de ser príncipe e senhor do espírito: quem não o quereria?! É natural que o espírito seja considerado a coisa mais elevada, dominando todas as demais. É o que se ensina. Quem pode, enfeita-se com o espírito, coloca-o nos debruns da sua personalidade. Ligado a alguma coisa, o espírito é a coisa mais difundida que existe. O espírito da lealdade, o espírito do amor, um espírito disso, um espírito daquilo, e queremos agir no espírito do nosso movimento: como isso parece sólido e inatacável até os degraus inferiores. Tudo mais, o crime cotidiano ou a cobiça obstinada, parecem algo inconfessável, como sujeira que deus tirasse das unhas dos pés”
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”Isso lembrou Ulrich novamente daquela idéia bastante duvidosa em que por muito tempo acreditara, e que até hoje não eliminara inteiramente, de que o mundo seria melhor dirigido por um senado de sábios e mentes avançadas. É muito natural pensar que o ser humano, que se deixa tratar por médicos especialistas quando está doente, e não por pastores de ovelhas, não tem motivo, quando sadio, de se deixar tratar por falastrões com mentalidades de pastores de ovelhas como costuma fazer em assuntos públicos. E jovens que se interessam pelos conteúdos essenciais da vida consideram secundário tudo no mundo que não for verdadeiro, nem bom, nem belo; por exemplo, também o Ministério da Fazenda ou um debate no Parlamento; pelo menos antigamente eram assim, pois hoje em dia, graças à educação política e econômica, dizem que são diferentes. Mas também naquele tempo o homem aprendia a adaptar-se à realidade quando ficava mais velho e freqüentava mais tempo os defumadores de espírito onde o mundo curte o seu toucinho comercial; e o estado definitivo de uma pessoa de formação intelectual era mais ou menos limitado à sua “especialidade”, carregando pelo resto da vida a convicção de que tudo talvez devesse ser diferente, mas que não adiantava nem refletir sobre isso. Mais ou menos assim parece o equilíbrio interno das pessoas que realizam alguma coisa intelectualmente. E de repente, de maneira cômica, Ulrich imaginou tudo isso numa pergunta: ao fim de tudo, havendo certamente suficiente espírito, não faltaria apenas que o espírito tivesse espírito?

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Teve vontade de rir disso. Ele próprio era um daqueles que renunciavam. Mas uma ambição decepcionada, ainda viva, o trespassava como uma espada. Dois Ulrichs caminhavam naquele instante. Um olhava em torno, sorrindo, e pensava: “Ali eu quis desempenhar um dia um papel, entre cenários como esses. Um dia eu despertei, não docemente como no colo da mãe, mas com a certeza dura de que tinha que realizar alguma coisa. Deram-me lemas, e senti que não me interessavam em nada. Naquele tempo meus propósitos e expectativas enchiam tudo, como o nervosismo antes de entrar em cena, Mas nesse meio tempo o chão deslizou imperceptivelmente, avancei um trecho de meu caminho e talvez já esteja na saída. Em breve estarei fora de cena, e meu grande papel será dizer: os cavalos estão selados. Que o diabo carregue tudo isso!”

Mas enquanto um Ulrich andava pelas flutuações da noite sorrindo desses pensamentos, o outro cerrava os punhos, com dor e raiva; era o menos visível, pensava encontrar uma fórmula de esconjuro, uma alça por onde pudesse agarrar o verdadeiro espírito do espírito, o que faltava, talvez apenas o pedacinho que fecha o círculo rompido. Esse segundo Ulrich não encontrava palavras. Palavras saltam como macacos de árvore em árvore, mas no reino escuro das raízes não dispomos da sua amistosa intermediação. O chão corria debaixo dos pés dele. Mas conseguia abrir os olhos. Uma emoção consegue soprar como uma tempestade, mas não ser em absoluto uma emoção tempestuosa? Quando se fala em tempestade das emoções, fala-se de uma tempestade que faz gemer as cascas do ser humano e voarem seus galhos como se fossem partir. Mas aquela tempestade deixava a superfície totalmente lisa. Quase um estado de conversão, de inversão; nenhum traço se distorcia, e por dentro nenhum átomo parecia continuar em seu lugar. Ulrich estava bem lúcido, mas seu olhar percebia de maneira nova todas as pessoas que passavam, e seu ouvido assimilava de novo modo cada melodia. Não se podia dizer que era um jeito mais acurado; na verdade também não era mais profundo, mas delicado, natural ou não natural. Ulrich não conseguia dizer nada, mas pensou naquele momento na singular experiência “espírito”, como numa amada que sempre nos traiu sem que por isso a amássemos menos, e esse sentimento o ligava a todas as coisas que deparava agora. Pois quando se ama, tudo é amor, ainda que seja sofrimento e repulsa.
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“O mundo poderia ser mudado a cada momento, em todas as direções, ou pelo menos, em qualquer sentido que se quisesse; isso é, por assim dizer, de sua natureza. Por isso, seria uma maneira estranha de viver, tentar não se portar como uma pessoa definida num mundo definido, no qual basta mudar de lugar alguns botões, o que se chama de evolução; mas, de saída, viver como um ser nascido para transformações, incluído num mundo em transformação, mais ou menos como uma gotinha d´água numa nuvem.”

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“ A idéia é o maior paradoxo do mundo. A carne se liga às idéias como um fetiche. Torna-se mágica quando há uma idéia presente. Uma vulgar bofetada pode tornar-se mortal pela idéia da honra, do castigo ou algo assim. Mas as idéias jamais se mantém no estado em que são mais fortes; são como aquelas substâncias que em contato com o ar imediatamente se transformam em outra, mais durável, mais corrompida. Você viu isso algumas vezes: surge uma idéia; é você, num determinado estado. Alguma coisa sopra em você; como um súbito rumor de cordas, surge um som; alguma coisa se coloca diante de você como uma miragem; da confusão de sua alma formou-se um cortejo infinito, e todas as belezas do mundo parecem estar paradas à beira da estrada. Muitas vezes uma só idéia provoca isso. Mas depois de algum tempo, ela começa a se parecer com todas as outras idéias que você já teve, submete-se a elas, torna-se parte de suas concepções e de seu caráter, de seus princípios ou de seus estados de alma; ela perdeu as asas, e assumiu uma solidez totalmente desprovida de mistérios.”
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“Mas você não sabe que toda a vida perfeita seria o fim da arte?”
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“Imagine o que acontece hoje em dia: quando um homem importante coloca uma idéia no mundo, ela é imediatamente submetida a um processo de distribuição que consta de simpatia e repulsa; primeiro, os admiradores arrancam grandes nacos que mais lhe agradam (!) , e devoram o seu mestre como raposas devoram carniça, depois os adversários eliminam os pontos fracos, e, em breve, de toda a façanha nada sobra senão uma provisão de aforismo, não existe um sim no qual não se possa pendurar um não. Você pode fazer o que quiser, sempre vai encontrar vinte das mais belas idéias a favor, e se procurar, vinte contra. Seria de acreditar que é como no amor, no ódio e na fome: o gosto tem de ser diferente, para todos terem a sua parcela”

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“As falas das pessoas importantes, que agem em grande escala, habitualmente têm menos conteúdo que as nossas. Pensamentos que têm uma relação particularmente próxima com objetos especialmente dignos, habitualmente pareceriam bastante retardados caso não fosse esse privilégio. Nossas tarefas mais caras, relacionadas com a nação, a paz, a humanidade, a virtude e outras coisas desse tipo carregam em suas costas a flora espiritual mais banal. Seria um mundo bastante distorcido; mas quando se pensa que o tratamento de um tema pode ser tanto mais insignificante quanto mais importante o tema, vê-se que é um mundo da ordem”

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"Todo o nosso saber provém do fato de não sermos severos demais nem ficarmos esperando o saber supremo; a Idade Média fez isso, e continuou ignorante".

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"Quem quiser construir sobre terra firme no ser humano, deve servir-se unicamente de qualidades e paixões inferiores, pois só o que se liga mais estreitamente ao egocentrismo tem solidez e pode ser levado em conta por toda parte; as intenções mais elevadas não são confiáveis, são contraditórias e fugazes como o vento"
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"Não queria mais saber o que acontecia lá fora. Havia guerra, em algum lugar. Em algum lugar celebrava-se um grande casamento. O rei do Beluquistão chega agora... pensou. Por toda parte, os soldados faziam exercícios, as prostitutas vagavam, os carpinteiros estavam parados sob armações nos telhados. Nas tavernas de Stuttgart a cerveja transbordava das mesmas torneiras amarelas e recurvadas que em Belgrado. Quando se anda por aí, policiais nos pedem documentos. Por toda parte colocam mais um carimbo neles. Por toda parte há percevejos ou não há. Há trabalho ou não. as mulheres são todas iguais. Os médicos nos hospitais são todos iguais. Quando voltamos do trabalho à noite, as pessoas estão na rua e não fazem nada. Sempre e por toda a parte a mesma coisa: as pessoas não têm idéias novas. Quando o primeiro aeroplano passou pelo céu azul"


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"Os crimes realmente grandes não existem porque os cometemos mas porque deixamos que aconteçam!"

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"Um homem de ciência é limitado exatamente no seu sentimento, o homem prático mais ainda. Isso é tão necessário como a firmeza das pernas quando queremos pegar um peso com os braços"

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"Sem dúvida, sua forma de religiosidade não seria incompatível com isso, porto que ele deixava a deus o divino e aos santos a santidade intacta; mas lhe era inconcebível desistir de sua personalidade, sendo seu ideal do mundo uma comunidade de personalidades morais plenamente responsáveis, batalhões civis de deus, em luta contra a volubilidade da natureza animal, e santificando o cotidiano, sem deixar, entretanto, de orná-lo com as grandes obras da arte e da ciência. Se alguém tivesse recontando a sua divisão do dia, teria verificado por isso que, em todas as variantes, resultava em apenas vinte e três horas, faltando assim sessenta minutos para completar um dia, e, desses sessenta minutos, quarenta estavam para todo o sempre destinados às conversas com outras pessoas e à ocupação afetuosa com seus propósitos e características, no que ele incluía também a visita a exposições de arte, concertos e diversões. Odiava tais espetáculos. Pelo conteúdo que tinham, eles quase sempre feriam o seu íntimo e, em sua concepção, essas manifestações desordenadas e supervalorizadas eram um carnaval da notória dilaceração nervosa dos tempos presentes. Ele chegava a sorrir aterrado por trás de seus ralos bigodes quando, em tais ocasiões via "machos e fêmeas" perpetrando, com as faces em fogo, a idolatria da cultura. Eles não sabiam que a energia vital aumenta pela restrição e não pela dispersão. Sofriam invariavelmente por medo de não terem tempo para tudo, e não sabiam que ter tempo nada mais significa que não ter tempo para tudo. Lindner descobrira que se está mal dos nervos não por causa do trabalho e sua velocidade, réus da época, mas, pelo contrário, como conseqüência da cultura e do humanitarismo, das pausas para repouso, interrupções no trabalho, minutos desocupados, em que o homem gostaria de viver a si mesmo e procura algo que possa considerar belo, divertido ou importante: é desses minutos que brotam os miasmas da impaciência, infelicidade e falta de sentido. Tal era a sua sensação, e, por ele, quer dizer, pelo que contemplava nesses momentos, teria varrido com vassoura de ferro esses templos da arte para substituir os pretensos acontecimentos do espírito por festas do trabalho, festas edificantes, intimamente relacionadas ao labor cotidiano; no fundo, bastava tomar, de toda uma época, apenas uns poucos minutos diários, cuja doentia existência é devida a um liberalismo mal compreendido. Ele, entretanto, nunca tivera a firmeza de defender isso em público, seriamente, sem limitar-se a meras alusões.

E, de repente, Lindner levantou os olhos, pois, durante esses devaneios cerebrais continuava no bonde, e sentiu-se tomado da agitação e angústia geradas por indecisão e impedimento. Por um momento, teve a confusa impressão de ter pensado o tempo todo em Ágata, honrada assim pelo fato de um mau humor, que começara ingenuamente como apreço por Goethe, agora se fundir com ela, embora para tanto não houvesse motivos palpáveis. Como de hábito, Lindner dirigiu a isso exortações a si próprio: "Dedica uma parcela de tua solidão à serena reflexão sobre teu próximo, principalmente se não concordas com ele: talvez venhas então a entender e usar melhor o que te causa repulsa, e aprendas a poupá-lo na fraqueza e a encorajá-lo na virtude que possivelmente está apenas intimidada!", sussurrou de lábios fechados. "

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" (...) na vida, procuramos o que é firme com a mesma insistência de um animal terrestre caído na água. Por isso, sobreestimamos tanto a importância do Saber, do Direito e da Razão, quanto a necessidade de coerção e violência. Talvez não deva dizer exatamente sobreestimar; seja como for, porém, as manifestações de nossa vida repousam, em sua maioria, na insegurança espiritual. Nela imperam a fé, suposição, hipótese, presságio, desejo, dúvida, inclinação, exigência, preconceito, persuasão, exemplificação, pontos de vista pessoais e outros estados de semicerteza. E como, nessa escala, a opinião se encontra mais ou menos no meio entre fundamento e arbítrio, uso seu nome para designar o todo. Se o que exprimimos com palavras, mesmo que grandiosas, em geral é mera opinião, o que exprimimos sem palavras o é sempre.

Digo, pois: no que depende de nós, nossa realidade é, em maior parte, apenas expressão de opinião, embora lhe emprestemos sabe-se lá que importância. Podemos imprimir uma expressão determinada à nossa vida na pedra das casas - isso sempre se dá por causa de uma opinião. Há algum tempo que Ágata e eu adquirimos sensibilidade par a uma certa agitação de fantasmas dentro do real. Cada detalhe expressivo do que nos rodeia "fala conosco". Dá uma opinião. Mostra que absolutamente não surgiu uma intenção passageira. É apenas uma opinião, mas se comporta como convicção. É mera idéia, mas age como se fosse vontade inabalável. Eras e séculos se erguem de pernas fincadas, mas por trás deles uma voz sussurra: absurdo" Até hoje nunca chegou a hora, nem o tempo."

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