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sábado, maio 02, 2009

Goethe - Fausto

“A coisas muito altas anseia nossa alma
A matéria, porém, a unge sempre ao chão;
Se alcanças deste mundo os bens e a loura palma
Da glória, tudo é engodo e constante ilusão.
E às belezas da vida, e aos puros sentimentos,
Envilecem, da terra os ferozes tormentos;
E quando a fantasia abre asas e voa
No espaço, para o eterno, em sonhos e esperanças,
Basta pequeno abrigo, enquanto além ecoa
Vendaval que desfaz venturas e bonanças
O infortúnio se esconde e se abisma no peito,
As dores acalenta então insatisfeito
E da vida perturba o sossego e o prazer
Sempre com nova máscara a fazer sofres
Ora luxo, ora lar, mulher, criança aflora;
Qual fogo, água, atroz veneno, até punhal;

Tremes perante tudo o que não tens, mortal!
E aquilo que perdeste, em lágrimas deplora!
Não sou de deus a imagem! Sinto-o profundo.
Pareço mais um verme, e no pó vivo imundo;
Que do pó se alimenta e nele sempre exulta,
Se o pé do itinerante poupa e não o sepulta”

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