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domingo, agosto 22, 2010

introdução à estética, Ariano Suassuna

"De um corpo para dois; de dois para todos os belos corpos; dos belos corpos para as belas ocupações; destas aos belos conhecimentos, até que, de ciência em ciência, se eleve por fim o espírito da ciência das ciências, que nada mais é do que o conhecimento da Beleza Absoluta." (Platao, Diálogos in: introdução à estética, ariano suassuna)


"Para Hegel, tudo o que é real é cogniscível. O mundo é dilacerado entre dois extremos: de um lado, as coisas, do outro, a Idéia absoluta. Ao homem, cabe o trágico destino de ponte entre as coisas e o espiritual: ele é uma espécie de campo de batalha entre Natureza e Deus. Ele é um ser dividido, dilacerado, por ser um representante do espírito e da liberdade, colocado diante da necessidade da natureza, cega, brutal, indiferente e até hostil a ele. No seu anseio de captação do mundo, o homem sente a oposição entre sua natureza espiritual e a realidade bruta que o cerca. Tendo, porém, por um impulso irresistível, que receber esse mundo cego dentro de si, procura espiritualizá-lo, para diminuir a diferença e a oposição. É aí que ele se vale da Arte, da Religião e da Filosofia, como veículos de espiritualização do mundo. A arte é o escalão inicial através do qual, nesse processo de espiritualização do mundo, o homem procura humanizar as coisas, inserindo a Idéia no sensível. Ao espírito religioso, cabe criar as condições necessárias de interioridade, para que o homem possa acolher dentro de si a Idéia, captada no sensível, onde a Arte a introduziu. Daí resulta, dentro do espírito humano, uma oposição final entre o que existe de mais nobre e puro no homem, e o sensível, mesmo espiritualizado, que lhe foi oferecido pela Arte. Cabe à filosofia destruir a oposição, o que ela faz sendo uma espécie de síntese conciliatória entre a Arte e a Religião.

É assim que o homem tenta superar a contradição fundamental de seu destino. O homem é duplamente dividido. Ser livre, criado para o espírito e a liberdade, vê-se arremessado diante da necessidade da Natureza. E, mesmo dentro de si, está sempre dividido entre a parte mais espiritual de sua alma e as paixões. O conflito inerente à condição humana, sõ no Absoluto se resolve; mas a Beleza é uma das armas mais poderosas de que o homem dispões para superar a angústia de seu destino trágico."

"Todas as Artes, toda a Literatura, é a superação do que a vida tem de rotineiro e indiferente"

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