"A "alma"nos imortaliza com uma pequena ressalva: não é exatamente "a nós" que perpetua, mas nossa modificação.
Essa é a tragédia das experiências espirituais do ser humano. Todo esforço por produzir a compreensão de uma "alma", do desejo de imortalizar-se pela transformação de si mesmo, acaba voltando para uma definição do próprio corpo. Por isso, para muitos a alma é a avalista da moralidade, visando a proteger o corpo das ameaças de transgressão a que este está exposto. É a alma que zela então pela tradição, quando na verdade sua concepção no imaginário humano era de que viesse a ser a guardiã da traição e da evolução. Por terem muitas vezes privilegiado o desejo de preservação, as tradições preferiram eleger o corpo como inimigo do que enfrentar a "alma", a verdadeira responsável pelos rompimentos e transgressões."
"Surpreender-se é, na realidade, a maior prova de poder de um ser humano. Surpreender os outros é fazer uso de nossos truques já dominados: surpreender a si mesmo é ser um mago diante daquele que nos julgávamos ser"
"Um ser humano se sente justamente satisfeito quando consegue estar em dia com o que lhe é "correto" e o que lhe é "bom". A desonestidade é uma medida de impropriedade do que é "correto" ou do que é "bom". Para ser honesto, um indivíduo deve estar em ordem com as suas obediências e suas transgressões. Esse estado é, com certeza, extremamente instável e seu equilíbrio, inconstante. Por isso nos é tão difícil ser honestos, pois as condições para que isso aconteça se constroem a cada instante."
"Somente no dia em que a traição não ferir o traído ou a tradição, mas despertar ambos para novas possibilidades que se descortinam através dela, surgirá um mundo muito além da tolerância - um mundo de apreciação."
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quarta-feira, julho 07, 2010
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